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TJ mantém expulso investigador que extorquiu empresário para não apreender caminhão

TJ mantém expulso investigador que extorquiu empresário para não apreender caminhão

02/07/2026

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O Tribunal de Justiça de Mato Grosso manteve a condenação do investigador da Polícia Civil, Juracy Campos, por pedir propina para não apreender um caminhão em Várzea Grande. O réu vai cumprir 4 anos, 11 meses e 15 dias em regime semiaberto, pagar multa e indenizar a vítima. A decisão é da 4ª Câmara Criminal que também determinou a perda definitiva do cargo.
O crime aconteceu em outubro de 2019. Juracy e outro investigador foram até uma oficina mecânica onde um caminhão Scania estava em conserto. Lá acusaram o dono do veículo de receptação de peças.
Segundo o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), os policiais cobraram R$ 30 mil para liberar o caminhão sem apreensão. Depois de negociar, fecharam em R$ 5 mil. O empresário pagou R$ 3 mil na hora e combinou os outros R$ 2 mil para depois.
A esposa da vítima procurou a Corregedoria da Polícia Civil. Com a denúncia, os agentes passaram a ser vigiados. Eles foram presos logo após receber a segunda parcela. As notas apreendidas com os policiais eram as mesmas que o empresário havia separado antes.
Juracy respondeu pelo crime de concussão. O outro envolvido, Leonel Virgolino Pacheco, também foi denunciado na época.
A defesa tentou derrubar a condenação. Alegou flagrante preparado, pediu absolvição, acordo penal, pena menor e para permanecer no cargo. O colegiado rejeitou todos os argumentos por maioria.  
Para os desembargadores, o crime se completa quando o servidor exige a vantagem, mesmo sem receber. Por isso, a ação da Corregedoria foi "flagrante esperado, não preparado". Os desembargadores citaram depoimentos, vídeos e laudos como prova de autoria e materialidade.
A gravidade veio do uso da própria função policial para extorquir. "Incompatível manter na corporação quem usou o cargo para cometer crime", diz a decisão.
Além da pena de reclusão no semiaberto, o réu foi condenado a pagar multa, R$ 2,5 mil de indenização mínima ao empresário e perda imediata do cargo de investigador.

 

AMANDA PAIM
DA REDAÇÃO
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