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“Foram punidas por exercer a própria vontade”, diz delegada sobre feminicídios em VG

“Foram punidas por exercer a própria vontade”, diz delegada sobre feminicídios em VG

10/06/2026

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A recusa de uma mulher em manter uma relação sexual foi apontada pela delegada Jéssica Assis, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), como o elemento central por trás do feminicídio de Josivany Borges de Amorim Rodrigues, de 45 anos, registrado em Várzea Grande, na semana passada (1º). Ao comentar a prisão do autor do crime, a policial afirmou que o caso evidencia a dificuldade de muitas mulheres terem sua autonomia respeitada.
Segundo a delegada, as investigações indicam que Josivany desistiu do programa sexual que havia combinado com o suspeito, Gabryel Junio de Almeida Dirceu, de 20 anos, pouco antes do assassinato. Para ela, a reação do agressor demonstra uma visão de posse e objetificação do corpo feminino.
“É mais um caso que a gente vê de uma completa e total objetificação do corpo da mulher, do descarte da autonomia de vontade do corpo feminino em relação ao que quer e ao que não quer fazer”, afirmou durante a coletiva.
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Ao refletir sobre o caso, Jéssica Assis fez uma comparação com outro crime que chocou Várzea Grande. Um dia antes da prisão de Gabryel, a Polícia Civil também havia prendido Claudinei da Silva, acusado de matar a própria filha, Olga Beatriz Santos da Silva, de 12 anos, após encontrar mensagens trocadas pela menor com um garoto.
Na avaliação da delegada, embora os episódios tenham motivações diferentes, ambos revelam uma mesma raiz de violência: a punição da autonomia feminina.
“Um pai mata uma filha porque ela expressa os seus primeiros desejos amorosos. Ela não foi orientada, ela foi punida por se expressar, por começar a se desenhar como uma mulher perante a sociedade”, declarou.
Embora com roupagens diferentes, ambos os casos demonstram a falta de humanidade para com a mulher. Sobre o caso de Josivany, a delegada frisa que a recusa da vítima em prosseguir com o encontro pode ter sido suficiente para desencadear a violência extrema.
As imagens da noite do crime analisadas mostram ela sendo empurrada por Gabryel, que não respeitou o seu “não”. Ele levou Josivany até um terreno baldio, onde ela foi violentada sexualmente, morta a pedradas e ainda teve o corpo queimado.
“Esse caso mostra também como a rejeição, como o não da mulher, não vale nada perante esses homens, perante esses agressores que não nos consideram como humanos”, afirmou.

 

GIOVANA GIRALDELLI
DA REDAÇÃO
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