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Zelador que matou paciente tentou obrigar testemunha a confirmar versão de suicídio

Zelador que matou paciente tentou obrigar testemunha a confirmar versão de suicídio

02/06/2026

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A investigação da Polícia Civil sobre a morte de Alessandro Sidinei Braga, de 38 anos, paciente com esquizofrenia que estava internado em uma clínica no bairro Jardim Primavera, em Cuiabá, aponta que o zelador da unidade tentou convencer uma testemunha a confirmar uma falsa versão de suicídio após o crime.
O funcionário, de 42 anos, foi preso em flagrante na manhã de domingo (31) pelos crimes de homicídio e fraude processual. Inicialmente, o caso havia sido comunicado às autoridades como um suposto suicídio por enforcamento.
Alessandro, que tinha esquizofrenia e estava internado na clínica, foi encontrado morto com marcas de corda no pescoço. O zelador, responsável pelo plantão noturno da ala onde estavam outros 42 internos, afirmou aos policiais que a vítima teria tirado a própria vida utilizando uma corda presa à janela do quarto.
No entanto, a versão começou a ser contestada após a chegada da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), que encontrou inconsistências entre os vestígios no local e a narrativa apresentada pelo funcionário.
Diante das contradições, investigadores passaram a ouvir internos e funcionários da clínica. Durante os interrogatórios, uma testemunha, que também era interno e atuava como monitor, contou que o assassino tentou convencê-lo a confirmar a narrativa. No entanto, ele negou a versão de suicídio e disse à equipe da DHPP que temia por sua vida, por possíveis represálias do autor do crime.
Por fim, o zelador acabou confessando ter alterado a cena para simular um suicídio e admitiu que pediu à testemunha que confirmasse a história aos policiais.
De acordo com as investigações, Alessandro apresentava comportamento alterado durante a madrugada de domingo (31). A suspeita é de que ele tenha sido contido pelo zelador com um golpe conhecido como "mata-leão" ou por meio da própria corda utilizada posteriormente na encenação do suicídio.
A vítima foi amarrada com os braços para trás e deixada em um quarto junto com outros internos. A partir dos depoimentos colhidos e dos elementos periciais iniciais, a Polícia Civil trabalha com a hipótese de que o próprio zelador tenha provocado o enforcamento que causou a morte do paciente.
Outra linha investigativa considera que, mesmo que ele não tenha executado diretamente a ação que resultou na morte, teria assumido o risco do resultado ao deixar a vítima completamente imobilizada e sem condições de se defender.
Além da gravidade da morte, a tentativa de simular um suicídio e de influenciar testemunhas foi um dos fatores apontados pela Polícia Civil para pedir a conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva.
O inquérito segue em andamento para esclarecer todas as circunstâncias do caso.

 

 

EUZIANY TEODORO
DA REDAÇÃO
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