Sítio Caldeirão em silêncio e lágrimas: Ilza parte aos 91 anos deixa um legado eterno de amor, coragem, fé e sabedoria no sertão paraibano
03/04/2025
No silêncio sagrado da madrugada de 25 de março, o céu se iluminou para receber Ilza Vieira da Silva, uma mulher que foi tudo: mãe, avó, bisavó, conselheira, amiga, esposa e porto seguro. Aos 91 anos, encerrou sua jornada terrena com a mesma serenidade com que viveu: cercada de amor, histórias e lembranças que jamais se apagarão. Ilza não era apenas uma mulher, era uma força da natureza com rosto de anjo. Nascida no Sítio Caldeirão, em São José de Piranhas - PB, era filha de Mariquinha Vieira e Antônio Domiciano, e irmã de uma família numerosa e tradicional da região: Pedro, José, Francisco (Majó), João, Isaura, Maria, Geraldo, Messias, Rosa e Edimilson, nomes que ecoam pelo sertão como parte viva de sua história.
Casou-se ainda jovem com o grande amor de sua vida: Francisco Pereira da Silva, conhecido popularmente por Chico Pereira, o filho mais novo de Maria Pereira e Manoel Pereira, que perdeu os pais cedo, mas encontrou em Ilza o amor que o reconstruiu. Chico era um homem trabalhador, íntegro, de caráter irrepreensível, que enfrentou a dureza da vida rural como agricultor, com as mãos calejadas e o coração voltado à família. Mesmo diante das dificuldades da época, nunca faltaram esforço, dignidade e, acima de tudo, amor. E Ilza, sua companheira de todas as horas, esteve ao seu lado por 64 anos de uma união abençoada, onde o amor era abrigo e alicerce.
Juntos, tiveram 10 filhos, e criaram 8 com zelo e dignidade: Hélio, Elania, Eliana, Antônio, Ana Lúcia, Messias Vieira, e os gêmeos Cosmo e Damião. Cada um deles carrega a força dos dois nomes que os moldaram: Ilza e Francisco, gigantes na humildade, exemplos de fé, sacrifício e um amor inquebrantável.
Dentre os filhos, um capítulo especial se escreveu com o nome de Messias Vieira, que vive em São Félix do Araguaia, no Mato Grosso. Como se o destino soubesse que era chegada a hora, Messias teve o privilégio de viajar recentemente e estar ao lado da mãe em seus últimos dias. Recebeu sua bênção, ouviu sua voz, sentiu seu abraço e pôde se despedir com a paz de quem sabe que disse tudo o que precisava ser dito.
“Parece que ela esperou por mim…”, disse ele, com os olhos marejados e o coração em pedaços, mas também envolto por uma serenidade rara. Porque a dor da perda é imensa, mas a graça da despedida é um presente divino que nem todos recebem. Messias teve esse presente: a última troca de olhares, o último “Deus te abençoe, meu filho”. E isso fez toda a diferença entre o desespero e a esperança.
Além do esposo Chico, Ilza viveu seus últimos anos também ao lado das netas Débora e Ilza Kendra, que com ela dividiram a rotina, os sorrisos, os cuidados, os gestos de carinho diários. Foi nesse lar de amor que conheceu a bisneta Maitê, um verdadeiro presente do céu antes da partida. Com os braços trêmulos, mas cheios de ternura, segurou Maitê no colo, com um sorriso que dizia mais do que mil palavras. Aquela imagem ficará eternizada: quatro gerações unidas pelo mesmo amor.
E junto dessas netas tão presentes, Ilza foi também avó de muitos outros que hoje carregam no peito a saudade apertada: Elder, Rafael, Francisco, Fernando, Maiara, Vinícius e Luiza. Cada um tenta, à sua maneira, entender como seguir o caminho sem o abraço quente, o olhar acolhedor e as palavras doces de “vó Ilza”. Lembram das histórias contadas com tanta vida, das risadas que ecoavam no fim de tarde, da mulher que sabia exatamente o que dizer nos momentos difíceis. Uma avó que cuidava sem esperar nada em troca, que transformava o amor em um gesto cotidiano.
A saudade será eterna. Mas será também o elo que manterá vivos os ensinamentos dessa mulher extraordinária. Uma avó que amou com a alma, que ensinou com o exemplo, e que, de onde estiver, continuará abençoando, um por um, como sempre fez.
A fé de Ilza era sua bússola. Devota de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, acreditava que a Mãe Santíssima a conduziria pelas mãos. E assim foi. Jesus enxugou suas lágrimas, aliviou sua dor, e hoje ela contempla, radiante, a glória divina. No céu, já deve ter se reencontrado com a Mãe Santíssima, onde não há mais dor nem saudade, apenas plenitude.
O lar, agora mais silencioso, guarda suas lembranças: o sorriso doce, as conversas na calçada, os momentos simples com sabor de eternidade, como dividir uma Coca-Cola com os netos ou preparar o café com aquele cheiro que só ela sabia fazer.
Descanse em paz, Ilza, mulher de fé, de fibra, de um amor que não se mede nem se explica. Só se sente. Seu nome será sussurrado em orações, lembrado nas conversas em família, e vivido em cada gesto de amor e cuidado que plantou nos corações dos filhos, netos e bisnetos.
E saiba, dona Ilza: o céu hoje está mais bonito. Porque a senhora chegou lá.
Vanessa Lima/O Repórter do Araguaia
2 comentários
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Comentário
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O caldeirão a cada dia q se passa não é mais o mesmo.La se foram dez dos onze irmãos.So nós restou tio Edmilson,pra nós lembrar de quem nós somos e de onde viemos.E tia Ilza deixara um vazio imenso nos corações de todos q amam nisso caldeirão.Q Deus a guarde no melhor dos lugares.
Sempre.me identiquei bem com.minha tia, uma pessoa extraordinária, simples,humilde e amiga daqueles que dela se aproximava,quantas vezes chegava em.sua casa com.meu pai, Zé Domiciano e ela sempre comemorava aquele encontro. Hoje ela está sentada só.lado de Deus, nosso criador. Yu descanse em paz.