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Fazenda Três Irmãos é invadida por segurança armado que resulta em prisão e apreensão de máquina durante desmatamento ilegal

Fazenda Três Irmãos é invadida por segurança armado que resulta em prisão e apreensão de máquina durante desmatamento ilegal

20/08/2025

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Um conflito agrário que se arrasta há meses em Luciara (MT) ganhou mais um capítulo tenso na última segunda-feira (18). Policiais militares flagraram um segurança armado e trabalhadores contratados por terceiros promovendo desmatamento ilegal em uma área rural de mais de 5 mil hectares, conhecida como Fazenda Três Irmãos I e II, na região da Mata de Coco.
A ação policial foi desencadeada após denúncia do produtor rural Parassu Daniel de Freitas, que informou à PM que sua propriedade estava sendo invadida por funcionários a serviço do fazendeiro Nilson Muller. Segundo o produtor, os invasores estavam acompanhados de um vigilante armado e utilizavam uma pá-carregadeira para abrir picadas em áreas que não fazem parte da disputa judicial.
Segundo o produtor, sua família exerce a posse mansa e pacífica da terra desde 1979, mas vem enfrentando constantes tentativas de invasão, acompanhadas de ameaças e danos ambientais.
Durante a operação, os policiais encontraram o segurança da empresa Bravo Garça, Ewerton Oliveira de Souza, portando um revólver calibre 38 com seis munições, duas delas já deflagradas. Ele não apresentou documentação da arma nem do próprio porte, alegando que estavam na sede da fazenda.
De acordo com o Boletim de Ocorrência, Ewerton não estava sequer dentro da fazenda onde deveria prestar serviço de vigilância, mas sim em área pertencente à família Freitas, caracterizando invasão. Além do porte irregular de arma, o flagrante apontou ainda desmatamento ilegal em plena execução.
Os policiais deram voz de prisão ao segurança e também aos operadores da máquina que realizavam o desmate. A pá-carregadeira foi apreendida e encaminhada ao Núcleo da Polícia Militar, com comunicação imediata à Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), responsável pela apreensão definitiva.
Todos os envolvidos foram levados à Delegacia de Polícia Civil de São Félix do Araguaia para prestar esclarecimentos e responder pelos crimes de esbulho possessório e crime ambiental.
O caso não é isolado. A família Freitas já registrou diversos boletins de ocorrência relatando ameaças e invasões na mesma área:
Em 16 de junho, cinco homens armados com facas e foices abriram picadas na propriedade, tentando cercar terras além das 71 hectares em litígio.
Em 20 de junho, Filenon Soares Lima, conhecido como “Preto”, foi flagrado derrubando vegetação e ameaçando trabalhadores da fazenda.
Em 9 de agosto, seguranças armados tentaram novamente invadir a propriedade, apenas dois dias depois de uma decisão judicial que reconhecia a manutenção da posse da família Freitas.
Inclusive, em 10 de julho, um oficial de justiça lavrou auto de constatação confirmando que a fazenda permanece sob posse efetiva da família, com gado, curral, estradas e estruturas mantidas pelos produtores.
A disputa gira em torno de 71 hectares da área total de 5.310,0861 hectares. A Justiça concedeu a Nilson Muller uma liminar de reintegração de posse apenas sobre essa parte. No entanto, segundo os Freitas, o fazendeiro estaria extrapolando a decisão, avançando sobre áreas que não são objeto da ação judicial.
Para a família, o que está em curso é um abuso deliberado, acompanhado de violência e degradação ambiental, que coloca em risco trabalhadores e ameaça a posse histórica do imóvel.
A Polícia Civil de São Félix do Araguaia abriu procedimento para apurar responsabilidades. Além do porte ilegal de arma, os envolvidos podem responder por invasão de terras, crime ambiental e ameaças.
Diante dos fatos, o segurança armado, os operadores da máquina e demais envolvidos foram presos em flagrante e conduzidos à Delegacia de Polícia Civil de São Félix do Araguaia/MT, onde também compareceram como vítimas e testemunhas o comunicante Parassu Daniel de Freitas e seu pai, Parassu de Souza Freitas.
O caso foi registrado sob os crimes de esbulho possessório, invasão de propriedade e crime ambiental, e segue sob investigação das autoridades competentes.
A Polícia Civil dará prosseguimento às investigações para apurar responsabilidades criminais e civis dos envolvidos.
Da Redação

 

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