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Mãe deixa filho amarrado após não conseguir internação

Mãe deixa filho amarrado após não conseguir internação

07/10/2019

Uma mãe de Nova Mutum (264 km ao Norte) recorreu a uma medida drástica para conter o filho de 17 anos durante suas crises psiquiátricas. Ela dopa e amarra o adolescente para impedir que ele cometa suicídio. Depois de procurar de várias formas uma internação para o filho, ela afirma que ficou sem opções.

O caso foi contado pela professora Carla Lemos Coelho Silva ao site UOL, em matéria publicada neste domingo (6). O adolescente já tentou tirar a própria vida 3 vezes, por causa do transtorno afetivo bipolar. E mesmo gastando R$ 600 por mês com remédios, o jovem tem piorado.

Em uma das crises, a mãe precisou de 3 homens para conter o filho e o sedar. Carla procurou ajuda em clínicas psiquiátricas públicas em Mato Grosso, mas nenhuma quis receber o rapaz porque ele ainda é menor de idade.

A professora afirma que sente muito ter que chegar a esse ponto com o filho, mas não sabe mais o que fazer. "É perigoso, mas não tenho alternativa. O ideal é que ele ficasse em um hospital preparado, mas não consigo vaga".

Mesmo com o risco de ser processada por mais tratos ao filho, Carla alega que também gostaria de fazer de outro jeito. "A Promotoria me disse que fazer a contenção do meu filho poderia dar problema. Então que dê problema e tenha a repercussão necessária para conseguir ajuda para o meu filho".

A família do adolescente recorreu ao Ministério Público do Estado (MPE), que conseguiu uma liminar para internação emergencial do menino. No entanto, o Hospital Adauto Botelho, em Cuiabá, se recusou a internar o filho de Carla porque não existe uma ala infanto-juvenil na unidade.

Procurada pelo UOL, a Secretaria de Estado de Saúde afirmou que não houve recusa na internação, porém, a mãe precisaria ficar o tempo inteiro com o adolescente, o que, segundo a Secretaria, foi recusado pela família.

Com a ajuda da Defensoria Pública, Carla conseguiu uma liminar que obriga o Estado a pagar a internação do adolescente em uma clínica particular, mesmo que não seja em Mato Grosso.

Fora do estado, o adolescente começou o tratamento em 1º de outubro, com tratamento de convulsoterapia, o antigo eletrochoque, que voltou a ser permitido no país. De acordo com a professora, com o tratamento o filho já apresenta melhoras. (Com informações do UOL)

 

 

 

Thalyta Amaral

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