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Mato-grossense vende nudez artística para complementar renda

Mato-grossense vende nudez artística para complementar renda


Para Nany Ferrari, a nudez artística também é uma forma de melhorar a autoestima e ajudar outras mulheres

A produção de conteúdo adulto na internet não é novidade. Inclusive, frequentemente consta como um dos conteúdos mais acessados. Romance, sensualidade e erotismo sempre chamaram a atenção.

Na pandemia, a nudez ganhou ainda mais visibilidade. Muitas pessoas enxergaram na quarentena a possibilidade de ganhar dinheiro com fotos e vídeos do próprio corpo.

A mato-grossense Nany Ferrari, de 29 anos, é artista plástica e ingressou nas plataformas de compartilhamento de conteúdo adulto para complementar a renda. Nesses sites, ela vende fotografias e vídeos sensuais. Atualmente, Nany mora em Cuiabá.

“Trabalho como modelo desde os 18 anos e sempre fui voltada para o nu artístico. Durante a pandemia houve o sucesso das plataformas remuneradas como OnlyFans e o Privacy e acabei percebendo que já postava tudo sem ganhar dinheiro. Então também seria uma boa ideia postar nessas redes”, lembra.

A modelo não teve dificuldades de estabelecer sua carreira. Em 2015, Nany foi capa da revista Sexy, um dos periódicos mais influentes e famosos do ramo. Quando ela começou a cobrar para compartilhar seu conteúdo, já tinha seguidores que a acompanhavam.

NANY FERRARI 2

Nany Ferrari para a revista Sexy em 2015

Nany não hesita ao afirmar que o dinheiro que ganha com esse tipo de trabalho a ajuda muito. Ela é casada, mãe de dois filhos e tem uma casa para sustentar.

“Esse dinheiro é muito útil. Com ele, cuido dos meus filhos, pago plano de saúde, roupa e brinquedos. Tudo que vem dessa renda é voltado para eles”, explica.

Para ela, a sociedade ainda tem uma visão antiquada sobre a maternidade e seu trabalho pode ajudar a alterar a forma tradicional como a enxergamos.

“A sociedade ainda tem uma visão muito retrógrada sobre ser mãe. Que a mãe é aquele ser puro, imaculado e devoto de uma boa imagem. Acima de tudo correta, que não erra nunca. Não é porque eu sou mãe que não sou mais mulher, que sou um ser puro, imaculado, divino. Não. Eu sou uma mulher como eu era antes. Eu erro e eu gozo como qualquer outra mulher”.

Nany se intitula nas redes sociais como “Hot Mamma” que significa "mamãe gostosa”. Para ela, esse título não é apenas uma qualidade, mas também uma forma de descontruir expectativas ultrapassadas sobre a maternidade.

“É bem o pé da letra: uma mãe gostosa. É desmitificar isso da mãe imaculada. É ser uma mãe muito da gostosa, mesmo. Sou um mulherão. Antes de ser mãe e depois de ser mãe, as coisas caminham juntas. Não é porque sou mãe que não sou mais uma tremenda gostosa”, afirma.

Pode ser inesperado, mas a maior parte do público de Nany é feminino. Muitas mulheres consomem seu conteúdo e, em geral, são mães com problemas de autoestima que enxergam o nu artístico como uma forma de se inspirar. Também há mulheres que ainda não passaram por uma gestação, mas que se sentem desconfortáveis com algo de seus corpos.

A modelo também tem seus momentos de fragilidade e conta que, após a gestação, foi muito difícil aceitar seu novo corpo, mas que os registros sensuais a ajudaram a se levantar.

“A nudez artística é de suma importância para a autoestima da mulher. Pelo menos para mim, é maravilhosa. Depois que tive filhos, me vi perdida por muito tempo, por mais de um ano, na verdade. Eu tinha um corpo padrão que mudou e era muito difícil me enxergar dentro daquela nova imagem. As fotos e a nudez me resgataram e ainda é um resgate diário. Quando fico para baixo, olho o meu trabalho, converso com outras mulheres e isso me afirma novamente diante da minha imagem, da minha capacidade e do sagrado feminino que existe em mim”, relata.

Nany explica que a produção de conteúdos adultos vai além das questões de autoestima e abrange também o empoderamento feminino. Para ela, é uma forma de expressar que apenas ela é dona de seu corpo e decide o que fazer com ele.

“É muito além da nudez. Esse tipo de trabalho representa que eu escolho o que fazer com meu corpo, com a minha imagem. Que eu penso com a minha cabeça e não com a cabeça de um homem. Essa sou eu exercendo poder sobre o meu corpo e sou a única pessoa que pode fazer isso”.

Ela sabe que muitas pessoas ainda encaram mulheres que produzem conteúdos adultos como banais e vulgares. Para a modelo, essa visão é uma herança dominadora deixada por homens há muitos anos.

“Isso é retrogrado. É o pensamento de um homem há mil anos. Infelizmente, tem muita gente que pensa assim ainda. Acredito que sempre terá, todo mundo tem o direito de ter a sua opinião, mas é muito mais válido quando temos a nossa opinião e não a de um homem que nunca vai saber o que é ser uma mulher. Quem sabe de nós somos nós”, afirma a modelo.

A respeito do assédio, Nany afirma que não sofre muito, mas que se aborrece frequentemente com comentários de outras mulheres que são mais conservadoras e criticam seu trabalho. Para ela, são mulheres dominadas por pensamentos machistas, antigos e limitantes.

Ao ser perguntada se pretende parar de produzir conteúdo adulto em algum momento, Nany afirma que não.

“Não tenho intenção de parar porque isso me resgata, faz bem pra mim, ajuda outras mulheres acima de qualquer coisa”.

Ela ainda conta que está escrevendo um livro chamado “As Coisas Como Você Deixou” que aborda a vida de sua avó paterna e o luto sofrido pelo seu falecimento. É um projeto já em andamento, mas sem previsão de ser lançado.

 

 

ENZO TRES
DA REDAÇÃO

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