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Exploração sexual domina trechos de rodovias federais em Mato Grosso

Exploração sexual domina trechos de rodovias federais em Mato Grosso


Trechos das BRs 070, 163 e 364 no estado são responsáveis por 64 pontos de vulnerabilidade

O tráfico de pessoas para exploração sexual se disfarça de mercado do prazer nas rodovias federais que atravessam o estado. As BRs 364 e 163 se encontram entre as dez rodovias com maior concentração de pontos de exploração sexual do país, sendo que os trechos delas que passam por Mato Grosso são responsáveis por 11% e 18% da quantidade total de pontos localizados nas duas estradas, respectivamente. Já a BR-070, apesar de aparecer apenas na lista das 30 rodovias com mais pontos, concentra 47,6% dos locais de vulnerabilidade na parte que corta o território mato-grossense. 

Em razão da indiferença dada pela população em decorrência do objetivo do crime, entre as denúncias feitas de 2012 a 2019 no estado via Disque 100 - serviço do Governo Federal ligado ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos -, apenas 9% referem-se a casos de exploração sexual.

“A vítima acaba entrando na rede pelo convencimento, pela sedução, pela oferta de melhores condições de vida”, Dulce Regina, secretária executiva do Cetrap em MT

Em Mato Grosso, os casos são acompanhados pelo Comitê de Estado de Prevenção e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, ligado à Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc). Os dados apontam que o crime de tráfico de pessoas na modalidade de exploração sexual possui como alvo o aliciamento de adolescentes, mulheres e membros da população LGBTQIA+. Secretária executiva do Cetrap, Dulce Regina detalha como as quadrilhas cooptam as vítimas. 

“Por ser um crime que seduz, a vítima acaba entrando na rede pelo convencimento, pela sedução, pela oferta de melhores condições de vida. Existem pessoas com escolaridade que acabam caindo nessa rede, porque a promessa de uma vida melhor vira uma isca”, comenta Dulce.

Assim como o trabalho escravo, a identificação de pontos de exploração sexual é ainda mais desafiante, de acordo com a secretária. “Os índices para tráfico de pessoas para fins de exploração sexual de crianças, mulheres e da população LGBTQIA+ é menor índice que o de trabalho escravo porque as pessoas já estão sensibilizadas com o segundo, então há um maior número de denúncias”.

Levantamento

Dentro das rodovias federais no estado, o Observatório de Erradicação do Trabalho Escravo e do Tráfico de Pessoas define três características da exploração sexual: pontos para consumo de drogas, prostituição e consumo de bebida alcóolica. 

No tocante ao uso de entorpecentes, a BR-364 é responsável por 46% das localidades, enquanto a BR-163 e a BR-070 ficam empatadas nos números de pontos de prostituição, com 35% cada um. Por fim, 46% do consumo de álcool no âmbito de tráfico fica na extensão da BR-163.

Arte: Rodinei Crescêncio/RDNews

Arte Explora��o Sexual

Dos 64 pontos mapeados nas três rodovias mencionadas, 59 estão sem assistência do Conselho Tutelar. Desses, 35 pontos de vulnerabilidade estão localizados em postos de combustíveis, enquanto o restante se distribui em postos de alimentação, bares, hospedagem, área de comércio informal e prostíbulos. 

Sobre as características dos pontos, 39 ficam no perímetro urbano e 25 na área rural dos municípios. 

Ao todo, 17 municípios abrigam pontos de vulnerabilidade que abrigam o crime de exploração sexual, com destaque para Juscimeira e Barra dos Garças, que lideram a lista com 11 unidades cada, seguidos por Rondonópolis, com 10, e por Cáceres, com oito. 

Segundo a Polícia Rodoviária Federal, os pontos são contabilizados não só por serem locais de efetiva exploração, mas por apresentarem “características vulnerabilizadoras”. Dessa forma, os locais são classificados e as ações direcionadas para o enfrentamento. 

Arte: Rodinei Crescêncio/RDNews

Arte Explora��o Sexual

Fiscalização permanente

A  Rota do Oeste, concessionária da BR-163 desde 2014, afirma que  dispõe de uma atuação permanente em todo o trecho sob a sua responsabilidade, com o monitoramento 24 horas por dia. Além disso, a empresa detalha que os funcionários são orientados a acionar a polícia e os órgãos competentes para intervir nas situações, sob identificação prévia de qualquer ação suspeita. 

A fim de promover a conscientização da gravidade da exploração sexual nas rodovias do país, a PRF também realizou palestras na rede pública e particular de ensino no município de Guarantã do Norte, bem como publicações em suas redes sociais. Na ocasião, os policiais esclareceram dúvidas e ressaltaram a necessidade de combate desta forma de violência.

Ao se deparar com alguma situação suspeita em algum ponto de rodovias em Mato Grosso, as denúncias podem ser feitas pelo Disque 100 ou pelo 191, número de emergência da PRF. 

 

Geovanna A. Torquato

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