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De olho na herança, filha manda matar o próprio pai e queria ainda matar a mãe e a irmã

De olho na herança, filha manda matar o próprio pai e queria ainda matar a mãe e a irmã


23/11/2021

O fazendeiro Paulo Sérgio de Freitas Miranda, de 57 anos, foi morto em crime encomendado pela própria filha, de 29 anos, com a ajuda do seu marido e de um primo deste. O caso foi solucionado pela Polícia Civil na quinta-feira (18), com a prisão da mulher. O crime aconteceu no dia 23 de setembro dentro da propriedade rural da vítima, na cidade de Naviraí, no Mato Grosso do Sul.

Paulo foi assassinado a tiros por pistoleiros que foram contratados por sua filha e genro. O plano também incluía a morte da esposa da vítima, mas ela não atingida pelos disparos no dia, apesar de estar presente no local. O fazendeiro foi socorrido com vida e chegou a ficar internado por quatro dias no hospital de Dourados, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu.

O plano do casal era adquirir uma fazenda do pai, localizada na cidade de Guaíra (PR), como herança. O genro, aliás, já havia sido alvo de um boletim de ocorrência passado após desavenças com outro membro da família em crime de abuso sexual e que ainda está sendo investigado. Exatamente por conta disto o casal estava afastado dos pais há algum tempo.

Para o crime, o casal, com a ajuda de um primo do genro, contrataram dois pistoleiros para matarem Paulo Sérgio. Ele foi surpreendido pelos homens, que chegaram na fazenda num veículo Monza e atiraram por diversas vezes contra ele dentro de um galpão, ferindo-o no rosto, abdômen, tórax e mãos. Câmeras de segurança mostram toda a ação.

Operação Indignus Heres

A investigação teve como curso a Operação Indignus Heres, deflagrada pelas Polícias Civis de Naviraí, Mundo Novo, Eldorado e Palotina (PR). Inicialmente, descobriu-se o desentendimento familiar do casal com a vítima, também apurou-se que as terras as quais eles viviam ainda estavam em nome de Paulo Sérgio e que o casal passava por problemas financeiros.

A investigação também descobriu que o Monza teria passado por reparos numa oficina na cidade de Guaíra (PR) e que a pessoa que teria solicitado os reparos era primo do genro da vítima.

Posteriormente, os investigadores conseguiram realizar a identificação de um dos pistoleiros contratados para realizar o crime. Logo após os investigadores conseguiram localizar a residência onde os pistoleiros se esconderam após o crime, bem como conseguiram identificar o veículo utilizado para dar fuga aos assassinos.

Com a identificação do veículo, os investigadores identificaram o motorista responsável em dar fuga aos pistoleiros e, assim, em 8 de outubro, foi deflagrada a primeira fase da Operação, sendo cumprido dois mandados de busca e apreensão domiciliar na cidade de Palotina (PR).

Durante o curso da operação foi apurado que o genro da vítima, seu primo e um dos pistoleiros mantiveram contato telefônico antes, durante e dias após o crime, onde segundo a apurado o primo do genro da vítima (suspeito de ser o intermediário na contratação dos pistoleiros) chegou a ligar para o genro da vítima algumas horas após o crime quando este já estava na cidade de Naviraí no hospital aguardando notícias do sogro.

Também foi apurado que um dos pistoleiros também manteve contato telefônico com o genro da vítima dois dias após o crime.

Após novos indícios, em 20 de outubro foi deflagrada a segunda fase da operação, sendo então cumprido dois mandados de busca e apreensão domiciliar na região de Maracaju dos Gaúchos em Guaíra, e dois mandados de prisão temporária, em desfavor do genro da vítima e do motorista que deu fuga aos pistoleiros, sendo nesta data já considerados foragidos o primo da vítima e o pistoleiro identificado.

Com o avanço da investigação os policiais civis conseguiram descobrir que o primo do genro da vítima havia fugido para a cidade de Joinville-SC, e por meio do Núcleo de Regional de Inteligência de Naviraí conseguiu localizar o suspeito, sendo então repassada a informação para a Polícia Civil de Joinville, que localizaram e prenderam o suspeito.

Ainda durante a investigação com o apoio de investigadores de Palotina-PR foi realizada a identificação do segundo pistoleiro, que foi preso no último domingo (14), na cidade de Palotina-PR e posteriormente encaminhado até a primeira Delegacia de Polícia Civil de Naviraí, onde após interrogatório o suspeito confirmou ser um dos pistoleiros do crime, bem como confirmou todos os indícios e meios de prova arrecadados pela investigação.

Por meio de novos indícios e elementos de convicção a autoridade policial representou pela prisão preventiva dos seis envolvidos no crime dentre eles o genro e a filha da vítima, o qual foi concedida pelo juízo da comarca de Naviraí-MS.

Desta forma, na quinta-feira (18) foi deflagrada a última fase da Operação sendo então cumprido quatro mandados de prisão preventiva dos suspeitos que já em encontravam presos na Penitenciaria de Segurança Máxima de Naviraí – PSMN e outro cumprido contra a filha da vítima a qual foi localizada na casa de sua sogra na região de Maracaju dos Gaúchos em Guaíra-PR.

Durante a Operação foram apreendidos três veículos, aparelhos celulares dentre outros objetos. Já o último suspeito do crime e um dos pistoleiros, veio a óbito na cidade de Palotina-PR após confronto armado com policiais militares, após ter roubado uma caminhonete Hilux em Moreira Sales-PR.

Após a reunião e conclusão das diligências a investigação concluiu que o crime foi minuciosamente planejado, sendo que o primo do genro da vítima teria procurado o pistoleiro e oferecido o valor de R$ 20.000,00 para cada um pelo crime e que os alvos do crime seriam Paulo Sérgio e sua esposa. No dia 21 de setembro, o primo do genro da vítima trouxe os dois pistoleiros até a cidade de Naviraí que, segundo um dos pistoleiros seria, o dia em que o crime iria acontecer e que quem iria dar fuga a ele seria o próprio primo, mas devido ao imprevisto de os pistoleiros terem a motocicleta apreendida pela PRF no estado PR, eles foram apenas deixados na cidade de Naviraí.

Já na cidade de Naviraí foi realizado contato com uma quarta pessoa o qual foi o responsável em dar fuga aos pistoleiros, e para isso receberia a quantia de R$ 5.000,00, para não levantar suspeitas todos passaram a noite do dia 22 para o dia 23 (dia do crime) na cidade de Itaquiraí-MS. Já no dia 23/09/2021 o primo do genro da vítima dirigiu o veículo GM Monza usado crime, da cidade de Palotina até a cidade de Itaquiraí, onde entregou os veículos aos pistoleiros. Logo após os pistoleiros se deslocaram até o município de Naviraí, onde praticaram o crime, sendo apoiados pelo motorista de fuga o qual os retirou da cidade a bordo de um veículo Astra dourado, conforme apurado os pistoleiros não chegaram a receber pelo crime, sendo que o único pagamento dado pelo crime até então foram as armas usadas no crime e um veículo CITROEN C5 ano 2001 (o qual encontra-se apreendido na Delegacia de Polícia de Palotina-PR).

OPERAÇÃO INDIGNUS HERES: O nome faz menção ao Art. 1.814 do Código Civil Brasileiro o qual prevê que a indignidade constitui pena civil que priva do direito de herança não só os herdeiros, bem como os legatários que cometeram os atos criminosos ou reprováveis contra o autor da herança, ou seja, a lei, ao conceder o afastamento do herdeiro indigno, faz um juízo de reprovação, visto tal gravidade do ato. É uma questão de moral e lógica de que quem pratica atos de indignidade seja impedido de receber tal benefício.


André Farinha / MS

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