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Nem mesmo a ‘vaca louca’ deve derrubar o preço da carne em MT

Nem mesmo a ‘vaca louca’ deve derrubar o preço da carne em MT


Presidente do Sindicato das Indústrias Frigoríficas do estado (Sindifrigo-MT), Paulo Bellincanta, explicou causas e consequências da crise no setor.

O preço da carne bovina em Mato Grosso, que ‘valorizou’ absurdamente desde o início do ano e tem assustado a população, não tem perspectivas ‘imediatas’ de queda, já que a principal causa é a falta de matéria-prima, ou seja, tá faltando boi para abate no estado.

Nem mesmo os casos de ‘vaca louca’ e suspensão das exportações devem fazer o preço da carne cair para a 'alegria' dos consumidores.

O problema da escassez do gado tem gerado uma ‘crise em dominó’ e não somente o alto preço da carne para o consumidor final. Mas ainda uma concorrência desequilibrada entre os produtores que atendem o mercado interno e os exportadores.

Ainda sobre as exportações, o Brasil teve a suspensão da compra de carne pela China e pela Rússia após a constatação de casos da doença ‘vaca louca’ em Mato Grosso e Minas Gerais. Esse fato, teoricamente, causaria uma ‘inundação’ de carne no mercado interno e, consequentemente, queda nos preços.

Mas, exames detectaram que os dois casos se tratam de fatos isolados e atípicos de Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB) decorrentes de vacas de descarte que apresentavam idade avançada, não representando nenhum perigo para os demais animais.

De tal forma, essa suspensão deve durar de 15 a 30 dias apenas e não deve ‘dar tempo’ de causar maiores problemas às exportações, ou seja, não vai sobrar carne para o mercado brasileiro.

Ainda assim, a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento afirma que o real efeito dessa suspensão será verificada nos meses seguintes.

Com o preço da carne bovina ‘pouco acessível’, os consumidores buscam por outras opções: frango, carne suína e ovo.

A maior demanda por esses produtos faz que também fiquem mais caros, outra consequência dessa crise.

Não é difícil entender que os produtores que atendem o mercado brasileiro levam ‘a pior’ nessa disputa, já que os exportadores estão vendendo a carne no preço do dólar e tendo margem para atravessar essa crise do setor. Diferente dos empresários do ramo que atendem ao mercado interno.

Se há falta de gado, o que tem disponível para venda fica consideravelmente mais caro. Os frigoríficos vão comprar para o abate e disponibilizar nos açougues. Mas se tem pouco, com mais dinheiro leva vantagem, ou seja, os produtores que exportam e, consequentemente, a maioria dos cortes bovinos ‘vão embora do país’.

A mesma regra vale para nós, consumidores finais, sem oferta de carne no mercado, o que tem fica mais caro, comparado a preços internacionais, e ‘compra quem pode’.

Por se tratar de escassez de oferta e estarmos falando de ‘produto vivo’, não é ‘da noite para o dia’ que o problema vai ser resolvido. Vale lembrar que Mato Grosso é o maior produtor bovino do país e se aqui está nessa crise, dá para imaginar a situação dos estados que não são produtores.

Podemos colocar nessa conta o período da pandemia da covid-19, que afundou a economia mundial, desestabilizou vários setores, inclusive, a pecuária.

O presidente do Sindicato das Indústrias Frigoríficas do estado (Sindifrigo-MT), Paulo Bellincanta, falou um pouco sobre essa crise e ainda do hábito ‘enraizado’ do brasileiro com o consumo de carne e do mato-grossense, que foi acostumado com o produto ‘barato’.

“São hábitos e costumes enraizados em nossa cultura e que precisarão se adaptar. A dura realidade da falta de matéria-prima tem trazido sérios problemas para o setor. Soma-se à ociosidade, que tem batido recordes a cada ano, o fator dos preços do produto final para o consumidor. O desequilíbrio entre a exportação e o mercado interno tem provocado um desequilíbrio maior ainda entre empresas exportadoras e não exportadoras”, afirma Bellincanta.

O presidente do Sindifrigo ressaltou que no agronegócio de um lado estão produtores do “boi” e do outro produtores de grãos. Esses últimos faturam cerca de 5 ou 6 vezes mais que o pecuarista, que são assediados a alugar suas terras para o plantio. Consequentemente, quando isso acontece a produção cai significativamente.

Outro fator relevante foi o abate das ‘matrizes’ e novilhas, que contribuiu para a devastação do setor.

“Ao longo de anos, o rebanho brasileiro veio se desgastando com o abate de matrizes e novilhas redundando neste momento em uma grave diminuição de oferta. Espera-se uma melhora do quadro uma vez que com preços melhores, muitas destas matrizes antes destinadas ao abate começaram a ser novamente destinadas à cria”, pontua Paulo.

As 33 indústrias frigoríficas instaladas em Mato Grosso, que possuem custos de produção fixos e precisariam de pelo mesmo 80% da efetividade de produção, trabalharam em 2020 com apenas 58% de capacidade, causando uma crise complexa com possibilidade de muitos desses frigoríficos.

Um dado interessante que desenha bem a elevação do preço da carne nesse cenário foi de que no ano de 2018 os frigoríficos abateram cerca de 5,3 milhões de animais, arrecadando R$ 297 milhões. Em 2020 foram abatidos 5 milhões de bovinos, queda de 6% na produção, no entanto, o setor arrecadou R$ 432 milhões, aumento de R$ 135 milhões, que representa mais de 45% de ‘ganho’.

Vale lembrar que a maior fatia desse ‘bolo’ está na mão da indústria exportadora que vende em dólar seus produtos e tem margem de ajuste muito superior àqueles que dependem apenas do mercado nacional.

Bellicanta explicou a urgência de ações governamentais para ‘segurar’ o setor nesse momento e possibilitar uma reação sem danos maiores, como o fechamento de frigoríficos, que hoje têm cerca de desemprego 25.560 colaboradores diretos e movimenta um número incontável de atividades paralelas.

Ressaltou ainda que algumas cidades no interior têm no frigorífico sua maior renda e emprego, girando em torno dele comunidades inteiras.

“A realidade, porém, está muito distante e neste momento se faz urgente uma ação governamental para amenizar e permitir que as pequenas empresas atravessem este período sem danos maiores. Danos que poderiam atingir de pecuaristas a trabalhadores. O Estado pode e cabe a ele a responsabilidade social de auxiliar uma determinada atividade, atingida por fatores externos, para que ela possa buscar novamente um equilíbrio. Evitar hoje uma quebradeira em cadeia dominó é mais que uma opção, é uma urgência inteligente de quem quer que o setor não tenha prejuízos irreversíveis”, alerta.

 

 

MÁRIO ANDREAZZA
DA REDAÇÃO

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