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Policial que matou George Floyd é declarado culpado pelo júri em Minneapolis

Policial que matou George Floyd é declarado culpado pelo júri em Minneapolis


21/04/2021

O tribunal do júri de Minneapolis declarou o ex-policial Derek Chauvin, 45 anos, culpado pela morte do afroamericano George Floyd, 46 anos, em meio a uma prisão brutal em 25 de maio do ano passado na cidade. A tragédia, ocorrida em plena luz do dia e filmada por transeuntes, deu a volta no planeta e desencadeou uma mobilização mundial contra o racismo, tornando isto mais do que o julgamento de um homem e algo mais do que um veredicto. A tensão e os protestos nas ruas marcaram esse processo que deixou os Estados Unidos em suspense e que, para muitos ativistas, punha todo o conjunto da nação perante a justiça.

As deliberações duraram menos do que se poderia esperar. O júri, composto por sete mulheres e cinco homens de diferentes, reuniu-se durante quatro horas na segunda-feira e nesta terça-feira à tarde já tinha chegado a um acordo por unanimidade. A dureza das imagens, os nove minutos de agonia de Floyd sob o joelho de um agente impassível, tiveram um papel importante neste processo e no estupor mundial que o caso despertou.

Em 25 de maio, uma patrulha policial se dirigiu a uma loja no sul da cidade após a notificação de que um cliente tinha pago por tabaco com uma nota falsa de 20 dólares. Era Floyd, que continuava em um carro estacionado em frente à loja. Para superar sua resistência inicial, Chauvin o imobilizou no chão, com o apoio de outros dois agentes e então ocorreu esse desdobramento fatal. O joelho de Chauvin apertava o pescoço de um homem negro que não se mexia mais, que implorava que não conseguia respirar e logo depois parecia morto, sem que Chauvin removesse a pressão nem atendesse às queixas dos transeuntes, impotentes e desconcertados.

Durante três semanas de julgamento, pelo tribunal do condado de Hennepin, onde fica a cidade de Minneapolis, alguns dos transeuntes estavam entre as 45 testemunhas. “Usem o bom senso, acreditem no que seus olhos viram, vocês viram o que viram”, disse o promotor Steve Schleicher. Este processo, sublinhou, “não é contra a polícia, é um processo a favor da polícia”. Chauvin “traiu seu distintivo, abandonou seus valores e seu treinamento e matou um homem”, acrescentou.

O policial, que foi demitido, era acusado de homicídio doloso em segundo grau, assassinato em segundo grau (implica intenção no instante, mas não premeditação) e assassinato em terceiro grau (definido em Minnesota como o cometido por alguém que, embora não tenha o objetivo de matar, causa a morte agindo de forma perigosa, com uma “mentalidade depravada” e sem se importar com a vida humana). Seus dois companheiros também aguardam julgamento, embora por delitos menores.

O “caso Floyd” desencadeou a maior onda de protestos antirracismo nos Estados Unidos desde o assassinato de Martin Luther King e provocou uma verdadeira catarse nacional. Empresas e instituições, até mesmo o próprio Pentágono, fizeram um novo exame de consciência sobre a carga racial de seus símbolos e a glorificação dos emblemas da América confederada e escravista. Desta vez quem morreu não era um líder dos direitos civis, mas um homem com uma vida complicada, com um passado na prisão e um presente com problemas com drogas, que abalou os Estados Unidos, e justamente isso resultou em um debate mais profundo, sobre todas as probabilidades que um homem negro tem em relação a um branco de terminar à margem da sociedade e morrer sob o joelho de um policial. É raro no país um tribunal condenar um policial no cumprimento do serviço.

 

 

El País

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