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'Crianças não são super espalhadoras da covid', diz médica

'Crianças não são super espalhadoras da covid', diz médica


22/02/2021

Com especialidade em pediatria e patologia, a médica Natasha Slhessarenko afirmou que as crianças não são super espalhadoras da covid-19. O apontamento levanta um ponto de destaque para a discussão em torno da volta às aulas presenciais. Ao portal GD, a profissional da saúde esclareceu diversas dúvidas sobre o novo coronavírus. Confira a entrevista completa a seguir.

GD - Muito tem se discuto sobre retorno das aulas presenciais, sobretudo do ensino infantil. As crianças são super espalhadoras do vírus?

Foi provado que as crianças não são as super espalhadoras do vírus, não são. Primeiro, porque na maioria das vezes as crianças têm quadros assintomáticos ou leves. E a gente sabe que indivíduos que têm quadro assim transmitem menos, porque na hora de tossir e espirrar é que tem mais vírus, então se o indivíduo não tem isso vai ter uma carga viral menor. O indivíduo sem sintoma transmite, mas as crianças não super espalhadoras. Mas elas se contaminam e costumam ter quadros assintomáticos ou leves, raramente precisam de internação. Cerca de 1,5% das internações por covid são da faixa etária pediátrica, abaixo dos 18 anos. Então, as crianças e adolescentes respondem por poucos casos.

GD - O que nós sabemos até então a respeitos das variantes da covid-19?

As mutações são pequenas mudanças que o vírus sofre porque ele mesmo tem como mecanismo de defesa para se ver livre do nosso sistema imune. O vírus quer que a gente esteja ali pronto para recebê-lo. A cada organismo que ele entra, ele sofre mutações. A gente acredita que o SarsCov2, que começou a pandemia lá em dezembro de 2019, quando os primeiros casos foram descritos na China já nem existam mais, porque ele já mudou muito. A primeira variante descrita foi a chamada P117, foi descrita no Reino Unido, salvo engano no dia 14 de dezembro e já foi descrita aqui no Brasil no dia 31 de dezembro já descreveram também. Depois, outra descrita foi a B1351, essa é a variante da África do Sul. E, por último, em janeiro, tem a P1, que é a variante do Amazonas. Elas têm em comum uma mutação chamada de M501Y, que é uma mutação na proteína spyke da espícula, da coroa, deste vírus, em um pedaço específico dela, chamado de RBD (do inglês, domínio do receptor de ligação). Esse RBD é um pedaço da proteína do vírus e se liga em uma área muito específica das nossas células, que é o AC2. Houve uma mutação nesse domínio do RBD fazendo com que o vírus se ligasse mais facialmente na superfície das nossas células, dando uma carga viral maior nas pessoas, que passam a transmitir mais a doença.

GD - Sempre que uma pessoa se reinfecta é por uma variante?

Essa resposta ainda não temos. Provavelmente, sim. Mas, infelizmente, no nosso país, a gente não consegue fazer o sequenciamento genético do vírus para certificar que realmente se trata de uma variante diferente. A presença de um PCR positivo não caracteriza como reinfecção, porque o indivíduo pode ter um PCR positivo e ficar mais de 83 dias com o PCR positivo sem querer dizer que ele está infectado.

GD - Qualquer tipo de teste verifica contágio por variante?

Não. A gente pode até suspeitar quando faz os testes, esses testes de PCR, que coleta no nariz, a gente pode suspeitar de variante, mas para ter certeza é só o sequenciamento genético.

GD - Muito se tem veiculado sobre sequelas da covid-19 mesmo após a recuperação. O que nós sabemos até agora sobre esses efeitos?

Existe aí uma série de sequelas já descritas. A fadiga, o cansaço crônico, que já é bem descrito e é um dos mais comuns. Mas existe também as sequelas cardíacas, pulmonares, neurológicas e comportamentais. Muito ainda precisa ser estudado para que a gente consiga ter certeza de como essas sequelas se apresentam.

GD - Doutora, como a senhora avalia a atual metodologia de vacinação em Mato Grosso?

A metodologia não é só de Mato Grosso, é do Brasil todo. Nós temos um programa nacional de imunizações que é referência para o mundo. Para um país de dimensões do nosso, nós temos estados como Mato Grosso que equivale à Espanha e Itália juntos e ainda somos maiores. Ou seja, é muito grande o nosso país. E temos esse programa com grande capilaridade, com rede de frios, com pessoas treinadas, mas não temos vacinas. Esse é o problema. Falta matéria prima, falta vacina. Então, isso faz com que a gente não consiga vacinar grande parte da vacinação para realmente poder pensar a vida um pouco mais próxima da nova normalidade.

GD - Para a senhora, qual o atual estágio da pandemia no estado? Já podemos vislumbrar a superação da 2ª onda em breve?

Não, infelizmente ainda não. Penso que a gente ainda não superou essa segunda onda. O Ceará decretou lockdown ontem, porque realmente a situação está bastante grave e isso me deixa um pouco assustada. Não temos ainda um número de casos estáveis para a gente dizer que já superamos. Por isso, é importante que se mantenham todas aquelas recomendações, do uso frequente das máscaras, lavagem frequente das mãos com água e sabão, álcool em gel, distanciamento de pelo menos 1,5 m entre as pessoas, evitar aglomerações e, no menor sintoma, procurar o médico.

 

 

Khayo Ribeiro

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