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Infectologista aponta 7 medidas para retorno seguro das aulas

Infectologista aponta 7 medidas para retorno seguro das aulas


22/02/2021

O ano letivo de 2021 teve início no dia 8 de fevereiro para a rede pública municipal e privada de Cuiabá. As aulas, por enquanto, acontecem em sistema híbrido - que mescla modelo online e presencial. A expectativa é de que a partir de abril inicie o presencial. O momento, portanto, é de dúvida para os pais, que não sabem o grau de biossegurança das escolas de seus filhos.

De acordo com a infectologista Talita Arruda, de 33 anos, que está trabalhando na preparação de escolas particulares, a retomada é possível, desde que sejam respeitados os rigorosos protocolos de biossegurança e haja uma análise da situação epidemiológica de cada cidade. 

“Estudos mostram que o retorno das aulas presenciais não implicou em um aumento significativo do número de casos, isso quando as escolas estão dentro dos protocolos. Já nas instituições em que ocorreram surtos no ano passado, por exemplo - e já existem estudos nesse sentido - eles aconteceram, principalmente quando houve quebra de algum item desse protocolo”, explica a especialista. 

Segundo a infectologista, que trabalha junto às escolas privadas há cerca de quatro meses, há sete pilares fundamentais para manter o ambiente seguro nessa retomada das aulas presenciais. 

O primeiro deles é o uso de máscaras, mas não qualquer modelo, e sim as recomendadas pela OMS. Seguido pelo distanciamento social de até um metro e meio. O terceiro aspecto trata das condições dos ambientes - eles devem ser abertos e ventilados. Os processos de higienização e limpeza devem ser aprimorados. Em seguida o cuidado com a etiqueta respiratória. O sexto cuidado é com a higiene adequada das mãos e, para finalizar, o processo de vigilância constante. 

“A gente treina a equipe de higienização e limpeza e os tira do amadorismo, transformando-os em profissionais capacitados para a desinfecção correta do ambiente. Confeccionamos os protocolos de processo de higienização e depois formulamos, protocolamos isso na forma de documento como responsabilidade técnica”, explica Talita sobre o processo de aprimoramento. 

Já o processo de vigilância constante se refere ao monitoramento da situação epidemiológica na comunidade em que a escola se insere. 

Isso quer dizer que é fundamental informar todo e qualquer sintoma respiratório, incluindo náuseas, vômitos e diarréias. A comunicação entre a equipe escolar e a comunidade sobre a suspeita de contágio é primordial. 

“O ambiente de dúvida não pode existir, qualquer suspeita que se levante sobre um possível contágio precisa ser comunicado. Deve haver essa sinceridade para agir de forma correta do ponto de vista epidemiológico e médico, seja a checagem ou o isolamento”, completa a médica. 

Segundo a especialista, esse conjunto de pilares precisa estar sólido nas bases da retomada das aulas no modelo presencial. “Basta a falha de um desses elementos para que tudo dê errado”. 

A infectologista demonstra preocupação com a rede pública de ensino. 

“De maneira geral eu me preocupo, de verdade, porque estou vendo as dificuldades de grandes escolas particulares, com grandes recursos. Prefiro pensar que estão aptas, mas receio que exista uma grande dificuldade, tecnicamente. Para dizer isso eu teria que entrar em cada escola, que é o nosso trabalho”, conclui. 

O retorno das atividades deve ocorrer com limitação de 50% da capacidade total de cada sala de aula. A Educação Infantil, que inclui crianças de 0 a 5 anos e 11 meses, já está autorizada a retomar 100% das atividades no modelo presencial. Isso desde que sejam respeitados todos os protocolos de biossegurança. 

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a volta presencial das atividades escolares representa a retomada de serviços essenciais para o bem-estar infantil. Na escola, eles têm o acesso à nutrição, acompanhamento psicológico e prevenção da violência. 

Outro aspecto positivo seria a diminuição do risco de abandono escolar e a possibilidade dos pais trabalharem, reduzindo os impactos econômicos.

Entre os argumentos para a retomada do sistema presencial está o fato de que crianças e adolescentes menores de 18 anos representam cerca de 8,5% dos casos notificados de Covid. Além de apresentarem um número relativamente baixo de mortes, esse grupo, quando acometido pela doença, tende a apresentar sintomas leves. 

“Tendo em vista esse pouco acometimento das crianças, não há necessidade de aguardar a vacinação para que elas voltem às aulas”, reforça a infectologista. 

Tanto é que esse não é um grupo prioritário para receber a vacina contra a Covid-19. “A vacina não é para impedir a transmissão da doença, ela foi avaliada para diminuir o risco de adoecimento. Quem se beneficia com isso é o grupo de risco", explica Talita. 

Nesse cenário há uma redução de até cinco vezes de chances de complicações e consequentemente a diminuição da taxa de hospitalização.

Mas estudos ainda estão em andamento para compreender melhor os riscos de infecção e transmissão no grupo jovem e infantil. 

 A rede pública

Entretanto, a volta para o modelo presencial de ensino, mesmo que de forma parcial, causou dúvidas e temores, principalmente para os pais dos alunos. Apesar de ter sido iniciado o plano de vacinação contra a Covid-19, a possibilidade de contágio ainda assombra todos.

Para a diretora da Escola Municipal de Educação Básica (EMEB) Coronel Octayde da Silva, Dalila Pereira Arantes Aguiar, de 54 anos, o primordial é retornar às atividades presenciais apenas quando for seguro. 

“Diante de tudo que vivemos, depois de ver tantas pessoas indo de uma maneira tão dolorosa, temos que pensar no valor de uma vida. Então devemos pensar em voltar às aulas presenciais somente quando houver segurança”, afirma.

Volta às aulas

A professora Dalila Pereira Arantes Aguiar é diretora da instituição há oito anos

Segundo a professora, em sua instituição, um plano estratégico para a retomada gradativa foi elaborado, de modo a contemplar os protocolos.

Entre eles o processo educativo articulado ao protocolo, procedimentos na acolhida dos alunos, distanciamento físico dentro e fora da sala, preparação e distribuição de alimentos.

A pedagoga conta que esse trabalho teve início ainda em 2020. “A Secretaria Municipal de Educação sempre foi muito humanizada, dando o suporte para as unidades, enviando todos os materiais que compõem o protocolo de biossegurança”. 

Mesmo com todas as medidas, os pais ainda se sentem inseguros. Jocyhane Silva Faria, de 25 anos, tem três filhos - de 4, 3 e 2 anos - matriculados na Coronel Octayde da Silva. Ela tem receio dessa retomada no modelo presencial. 

“Eu não mandaria meus filhos para a escola nesse momento. E acredito que nem em um futuro próximo. Mesmo com todas as medidas de proteção, criança é complicado. Minha filha mesmo, o que ela mais sente falta na escola é da hora do recreio, quando ela e os coleguinhas dividiam seus lanches” relata a mãe. 

“Eu tenho o conforto de poder ficar em casa com eles, infelizmente a maioria dos pais não podem”, diz sobre a dificuldade de muitos durante esse período de ensino à distância. 

Segundo Dalila, a unidade de ensino realizou uma pesquisa com os pais, por meio de um formulário virtual, para identificar os alunos que voltariam para as aulas presenciais. “Tivemos um índice bem baixo de alunos que optaram pelo ensino presencial”, relata ela. 

Como medida de segurança para a manutenção da vida, o modelo de ensino à distância foi a alternativa mais viável. Porém foi um período difícil para quem não tinha muita intimidade com as ferramentas disponíveis para esse modelo de ensino ou mesmo o fato de agora ter as aulas dentro de casa.  

“No início foi complicado, por não ter experiência em ficar 100% responsável pelo aprendizado das crianças. Mas com o auxílio dos professores, que foram maravilhosos, praticamente o dia todo disponíveis para dúvidas, foi ficando mais fácil e mais prazeroso”, relata Jocyhane sobre sua experiência. 

Segundo a OMS, apesar de fundamental para a tentativa de controle do contágio, o fechamento das escolas e o sistema remoto de trabalho tiveram seus impactos negativos. Entre eles no desenvolvimento infantil, assim como um forte impacto na economia, com o fechamento de instituições. 

“A troca que eles tinham diariamente com os colegas de sala estimulava muito as crianças, estar perto da professora também. Só o fato de não estar presente no ambiente escolar já desestimula”, aponta a mãe sobre os impactos da distância das crianças da sala de aula. 

 

 

LIZ BRUNETTO
DA REDAÇÃO

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