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Senado mantém senadora de MT no cargo até julgamento "final" do STF

Senado mantém senadora de MT no cargo até julgamento "final" do STF


27/02/2020

O discurso do Podemos em defesa de novas práticas na política tem sido confrontado pela cassação da senadora Selma Arruda (MT) por caixa dois e abuso de poder econômico. O partido tem sustentado no Senado que a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não deve ser cumprida pela Casa antes de o caso chegar à instância final, o Supremo Tribunal Federal (STF). Além do respaldo no Congresso, a senadora diz que a legenda lhe dará uma função na estrutura partidária: ela será responsável no Podemos pela formação de políticos.

 

 

 

 

 

 

 

— Quero muito trabalhar nesse sentido, qualificar as pessoas. Comecei a percorrer o estado durante a campanha, mesmo agora, e a gente vê que as pessoas querem trabalhar com a política para ter um salário fixo ou para se locupletar. Ninguém sabe para que veio. Ninguém sabe para que é um vereador, o que faz, para o que está lá - diz Selma ao GLOBO.

No início do mês, ela disse à imprensa do Mato Grosso que foi convidada para presidir a fundação do Podemos. Selma completa que a falta de qualificação dos políticos é prejudicial para o país.

— Essa falta de qualidade que temos na política brasileira precisa mudar. Eu acho que o Podemos é um partido de excelência ainda. É um partido que está sem as máculas dos partidos tradicionais. Então, dá para fazer um trabalho bom e tornar o Podemos uma referência.

Nas eleições, a senadora foi comparada ao ex-juiz Sergio Moro, por ter sido considerada uma juíza rigorosa. Ela era chamada de "Moro de saia". Selma e um de seus suplentes, Gilberto Possamai, são acusados de receber R$ 1,2 milhão em abril e julho de 2018. O dinheiro não teria sido declarado por ela à Justiça Eleitoral. Para a maioria dos ministros do TSE, isso foi uma irregularidade contábil e caracterizou caixa dois.

Cassada em dezembro, a senadora vem se mantendo no cargo graças a uma decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), de submeter a condenação dela à Mesa Diretora da Casa. O processo durará pelo menos até o fim de março. Alcolumbre já sinalizou que não há chance de o Senado resistir à decisão da Justiça eleitoral. Na prática, com o rito, ela apenas ganha tempo de mandato, com salário e outros benefícios.

Questionada se Selma terá a responsabilidade de formar políticos no Podemos, a presidente da legenda, deputada Renata Abreu (SP), disse que "ainda não tem nada definido". Ela defende a senadora e diz que acredita que sua cassação pode ser revertida no Supremo.

 

 

Assessoria

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