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Educação Financeira no Campo, uma realidade no Vale do Araguaia

Educação Financeira no Campo, uma realidade no Vale do Araguaia


15/01/2020

Na sala de aula do 9ª Ano do Centro Municipal de Educação Básica Castro Alves, no distrito Vale dos Sonhos, em Barra do Garças – MT, os apenas seis alunos acompanham uma apresentação sobre como educar financeiramente para melhor se preparar para o futuro. No slide que é mostrado, uma imagem chama a atenção: uma planilha com o potencial de economia em até 20 anos, com o dinheiro de apenas um lanche diário. Os alunos se espantam com os valores. No canto da sala, como que se estivesse absorto ao que estava sendo discutido, João Victor, de 16 anos, está focado na tela do celular. A professora, durante a palestra, se encaminha ao aluno para repreendê-lo. Só que João Vitor não estava distraído… Estava fazendo contas.

 

 

 

 

 

 

 

João Victor mora com os avós, que são pecuaristas. Já sabe, desde muito jovem, as dificuldades do homem do campo e como o fator financeiro é o fator que define o sucesso de uma propriedade rural. Esse assunto, inclusive, está sendo cada vez mais discutido nas escolas da cidade e do campo. De fato, conforme levantamento da AEF (Associação de Educação Financeira do Brasil), de 2014 a 2019, o número de iniciativas para educação financeira no País aumentou 72%. Metade deles, em instituições de ensino.

O produtor rural, mesmo com o esforço diário, zelando pela sua propriedade, fica suscetível, independente do ramo, a fatores incontroláveis, como o clima e mercado. Planejar-se financeiramente, constituir uma reserva de capital e estar preparado para épocas de “vacas magras”, é cada vez mais importante. Conscientizar-se disso e adotar práticas financeiras saudáveis leva tempo. Facilita se desde jovem, ainda na escola, o futuros produtores começarem a entender esse processo. Há empresas que já vem desenvolvendo projetos para auxiliar nesse aprendizado, contribuindo para uma nova geração mais consciente financeiramente.

A Cooperativa de Crédito Sicredi Araxingu, por exemplo, há três anos, iniciou o projeto “Cuidar para Crescer”, nas turmas de 9º Ano, de escolas de 14 municípios mato-grossenses. A apresentação que João Victor participou é, inclusive, parte desse projeto, em que, ao final dela, os alunos são instigados a produzir uma redação sobre o tema, sendo que as melhores, receberão um incentivo, em dinheiro (em poupança) para já começar a sua caminhada financeira independente. Nos três anos, já foram premiados 108 alunos. O projeto já atendeu 6.427 adolescentes. Em 2019 foram 127 turmas de 58 escolas.

As redações têm impressionado tanto quanto os números. As crianças têm dias para produzir a redação e podem conversar com a família pra isso e, assim, levar o assunto da escola para dentro de casa. Fazer toda a família refletir. Uma das premiadas em 2019, a aluna Marlice Carla Gemmer, a título de exemplo, da Escola Estadual 31 de Março, em Canarana – MT, escreveu em sua redação que “nada adianta esperar que no futuro as pessoas sejam mais responsáveis e conscientes do uso do dinheiro; Que a educação financeira ajuda nas crianças de hoje, {…} se o exemplo que elas têm na sociedade de hoje seja exatamente o contrário”.

Além de consultar as famílias, os alunos podem pesquisar sobre o assunto para montar sua redação e assim, aprendendo mais ainda, sendo capazes, por exemplo, de estabelecer definições exatas, como quando Luiz Henrique Barbosa Duarte, filho de trabalhadores rurais, aluno da Escola Municipal Coronel Vanick do distrito do Culuene, de Canarana, que também foi uma das redações premiadas, escreve que “educação financeira não é dizer o que não se pode consumir, mas tornar o indivíduo consciente à tomar decisões certas em relação ao dinheiro”.

Assim, aos poucos, uma nova geração fica mais preparada. E uma sociedade mais consciente vai surgindo. Na cidade e no campo. É como afirma João Victor, que ainda não sabe qual profissão seguir, mas tem em casa, nos avôs pecuaristas, a inspiração necessária e, na escola, o ensinamento que precisa: “Eu comecei a calcular e percebi o quanto eu gastava com coisas desnecessárias; E que no final do mês daria um bom valor! Com o planejamento familiar eu poderia guardar esse valor, para realizar outras coisas.”

 

 

FONTE: Lavousier Machry, AGRNotícias

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